Em entrevista, Dr. Hugo Andrade e o panorama da obesidade no século 21

Em entrevista, Dr. Hugo Andrade e o panorama da obesidade no século 21

Em entrevista exclusiva, o Dr. Hugo Andrade alerta para os riscos da obesidade, suas principais causas e a importância de hábitos saudáveis

Apontada como o mal do século 21, a obesidade está se transformando em epidemia, adverte a Organização Mundial da Saúde (OMS). Fator de risco para uma série de problemas de saúde, como hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares, a obesidade apresenta várias causas, que podem ser físicas ou emocionais.

Renomado Fisioterapeuta Dermato Funcional, atuando há mais de 13 anos no ramo de emagrecimento e desenvolvimento de produtos voltados ao ramo da estética, Dr. Hugo Andrade, Diretor Técnico da VS Lab, laboratório brasileiro com produtos de alta tecnologia patenteados no mundo todo, nos fala nesta entrevista sobre o panorama geral da obesidade, sua relação com a pandemia que enfrentamos, e alternativas para retomar uma vida saudável. 

REDAÇÃO> Dr. Hugo, iniciando de forma direta, é possível indicar as causas da obesidade? Trata-se simplesmente de comer muito? 

DR. HUGO> A obesidade é difícil de ser tratada exatamente por apresentar inúmeras causas possíveis. Há a predisposição genética, que é um fator importante nessa condição; o sedentarismo, a falta de atividade física é também causa direta, o diabetes, que potencializa o aumento de peso pela transformação dos níveis elevados de glicose em gordura, mas certamente a ingestão excessiva de calorias é um fator determinante.  

REDAÇÃO> Estudos internacionais indicam que há, em todo mundo, 600 milhões de adultos e 100 milhões de crianças apresentando quadro de obesidade. Onde erramos, para que os números chegassem a esse nível?

DR. HUGO> Diversos fatores podem dar início ou agravar o processo de obesidade em um indivíduo. Além daqueles já conhecidos, como herança genética, o fato é que as pessoas passaram a ter menos tempo para si. Com o acúmulo de atividades profissionais, responsabilidades domésticas, longos períodos diários de deslocamento nas grandes cidades, o tempo que seria dedicado a atividades físicas e preparação de alimentos saudáveis deixou de existir. Em consequência, mais alimentos industrializados, muitas vezes com alto valor calórico e baixo valor nutricional, além do sedentarismo, impulsionaram os números para cima.

REDAÇÃO> No Brasil estima-se que 1 a cada 5 habitantes apresentem obesidade, e 50% da população esteja acima do peso ideal. Há um paradoxo nesse caso, se pensarmos que o nosso país tem, em pesquisa recente do IBGE, mais de 10 milhões de pessoas passando fome, sem considerar nesses números a população em situação de rua? 

DR. HUGO> Estudos indicam que em 2019, 60% da população adulta no Brasil já apresentava indícios de obesidade. A desigualdade social que encontramos em nosso país também se reflete nesses números. Há de fato muitos brasileiros sem alimento em casa, enquanto tantos outros alimentam-se mal. Há falta de disciplina alimentar, especialmente pela praticidade dos produtos de prateleira – compra-se congelado, no supermercado, alguns minutos em microondas e pronto. Ou um drive thru de fast food, acompanhado de batatas. 500, 600 calorias em uma refeição sem valor nutricional. Em pouco tempo, a conta chega, em forma de aumento de peso, excesso de gordura corporal, e obesidade.  

REDAÇÃO> A pandemia e o isolamento social apresentam efeitos individuais, e cada pessoa reage de uma forma particular a esse momento. Em sua opinião, o aumento de peso pode ser um dos efeitos da pandemia? 

DR. HUGO> Com certeza, a obesidade será um dos efeitos da pandemia. A própria restrição, o isolamento, gera aumento do sedentarismo. Não há atividades físicas em grupo, as academias estão fechadas, inclusive as gratuitas ao ar livre. Parques e praças não podem receber pessoas para caminhar ou correr. E a ansiedade gerada por esse momento de incertezas leva muitas pessoas a aumentar a ingestão de alimentos. Em consequência, não há dúvidas que teremos aumento no número de pessoas apresentando obesidade e seus efeitos.

REDAÇÃO> Os números de pessoas acima do peso têm aumentado, mas vemos mais pessoas interessadas em exercícios e alimentação saudável no Brasil. Por que isso não se reflete nos números? 

DR. HUGO> Temos observado de fato maior conscientização das pessoas sobre a importância de hábitos saudáveis, alimentação equilibrada e atividades físicas. Mas esse resultado será percebido em números apenas a médio prazo. Destaco, no entanto, que para isso é necessário que os hábitos saudáveis sejam contínuos. O organismo precisa compreender que os estímulos da atividade física ou os hábitos alimentares são um padrão, e não uma exceção. Adotar bons hábitos um dia e colocar tudo a perder no dia seguinte causa uma grande “confusão” no cérebro e no organismo, e com isso os resultados não aparecem.  

REDAÇÃO> Como especialista no assunto, tendo acompanhado tantos pacientes, quais as principais recomendações para evitar um quadro de obesidade? 

DR. HUGO> É necessário que as pessoas compreendam que a alimentação é o ponto chave na questão da obesidade. Há uma matemática simples nessa questão. Se o seu organismo requer 1500 calorias por dia, e você ingere 2000 calorias, certamente haverá um acúmulo, que vai se transformar em gordura e aumento de peso. Não se trata de impedir as pessoas de comer uma pizza, um lanche, um churrasco. O que orientamos é buscar informação, conhecer sua necessidade e aprender a calcular o que se ingere. Um profissional da área, como um Nutricionista, é a melhor indicação para esse entendimento.   

REDAÇÃO> E para quem já se encontra nessa condição, quais são as recomendações? 

DR. HUGO> Há alguns graus de obesidade, desde a mais branda até a classificada como mórbida, e o acompanhamento de um profissional é fundamental na avaliação adequada, orientações sobre a recomendação alimentar ideal, baseada em características individuais. Simplesmente parar de comer não é a solução – pode, inclusive, transformar-se em um grande problema. E a indústria da saúde e da estética também é altamente eficaz em auxiliar a reverter o quadro de obesidade, ou de compulsão alimentar, por exemplo. Atualmente encontramos excelentes produtos, como suplementos alimentares, que mantêm os níveis de nutrientes necessários ao organismo, sem a ingestão de açúcares ou gorduras excessivos.  

REDAÇÃO> Em sua opinião, há uma certa banalização da obesidade no Brasil em virtude do maior acesso às cirurgias de redução?

DR. HUGO> Muito se debate sobre isso, e acredito que não há essa banalização. Há algumas pessoas que adotam sim a cirurgia, mas a grande maioria das pessoas já compreendem que a mudança no estilo de vida é o caminho mais indicado. Em certas situações, somente a intervenção cirúrgica apresenta eficácia, especialmente nos graus elevados de obesidade, mas de forma geral, é possível notar tendências de mudança efetiva no comportamento, priorizando novos hábitos.

REDAÇÃO> Para finalizar, Dr. Hugo, é possível alimentar-se de maneira saudável no dia-a-dia, sem comprometer as rotinas diárias e o orçamento?

DR. HUGO> Totalmente possível. Como acontece em tudo na vida, exige disciplina, mas vemos exemplos todos os dias, como por exemplo a popularização das marmitas fitness. Tantas pessoas preparam sua refeição em casa e levam para o trabalho, baseado em saladas, uma carne grelhada, frutas. São alternativas viáveis, e que trazem excelentes resultados, especialmente quando se tornam um padrão, um hábito. 


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